Rio Alva

Percurso: Rota do Rio Alva

Partida: Oliveira do Hospital

Chegada: Ponte das Três Entradas

Descrição: Todo o Vale do Alva é um culto à beleza. As águas límpidas e frescas, os socalcos verdejantes despertam em nós o prazer inconfundível de pescar, nadar e calcorrear tendo as montanhas por testemunha.

De Oliveira do Hospital siga até S. Paio de Gramaços. Outrora algo periférica, é hoje uma das freguesias urbanas da Cidade de Oliveira do Hospital. As Inquirições de 1258 dão-nos conta da existência desta povoação desde os primeiros tempos da Monarquia Portuguesa.

Como curiosidade histórica, assinale-se que em 1543 foi ali fundada a «Santa Irmandade do Mártir S. Pelágio», na qual D. João III se filiou e se declarou «Protetor e Juiz Perpétuo».

A sua visita pode começar pela Igreja Paroquial que tem como titular S. Pelágio, afirmando-se dela que foi mudada de outro local fora da povoação; dos séculos XVII-XVIII.

Mas na freguesia não deve deixar de visitar a capela do Cemitério Paroquial, dada a sua importância em termos de património religioso. Dedicada ao Bom Jesus Redentor, foi construída em 1909, sob o alto patrocínio do Prof. Doutor António Garcia Ribeiro de Vasconcelos e a quem se devem as diversas obras existentes, trazidas de colégios conventuais de Coimbra. No retábulo único está um grande Crucifixo de madeira também ele único e de grande valor, tal como as esculturas de S. Gregório Magno e Santo Amaro, dos fins do século XVII.

A casa da família Vasconcelos do século XVIII, a casa da família do Comendador Alexandre Rodrigues, do princípio do século XX, um bom exemplar de «casa de brasileiro» e o Pavilhão Serafim Marques, onde para além de se praticar desporto se pode apreciar o Museu do Rancho Folclórico Sampaense são boas alternativas de visita.

A sua visita a esta Freguesia termina no Parque da Capela de Nossa Senhora dos Milagres um belo espaço arborizado e infra-estruturado.

Siga agora para a Catraia de S. Paio e no cruzamento vire à esquerda seguindo pela EN17 para ir até à Póvoa das Quartas avistar o panorama do Vale do Alva ou subir até à neve da Serra da Estrela.

Regresse à Catraia de S. Paio e volte para S. Gião. Para lá chegar tem que cruzar o Rio Alva e subir entre frondosos castanheiros, por um vale silencioso e atapetado de lameiros verdejantes sobre os quais se debruça o casario branco de S. Gião.

Povoação muito antiga, como o seu próprio nome indica: o topónimo S. Gião (abreviatura popular de S. Julião) vem dos primórdios da nacionalidade, quando eram frequentes os templos dedicados a este Santo. A sua antiguidade é ainda confirmada pelo troço de uma estrada romana que é ainda visível no Nogueiral, e que parece remontar aos tempos em que S. Gião teria sido um importante entreposto comercial romano.

Aqui pode visitar a Igreja Paroquial que tem como titular S. Gião (São Julião), atribuindo-se-lhe o estilo D. João V. Lê-se a data de MDCCLVI na porta principal, apresentando-se, no entanto, no seu conjunto e no seu recheio como edifício da segunda metade do século. As proporções e as obras de talha e pintura Barroco-Joanina (1795), destacam-se na região pela sua qualidade artística e ímpar beleza.

Por ser templo tão notável pela dimensão, pelas obras de pintura e talha que possui e pelo considerável valor das suas alfaias litúrgicas, um bispo de Coimbra ter-lhe-á (justamente) chamado «A Catedral das Beiras», designação que ainda hoje muito se usa para identificar o monumento e exprimir a sua rara beleza.

Para os mais aventureiros aconselha-se uma visita à gruta ou abrigo natural do Penedo da Moura. De difícil acesso, situa-se num enorme penedo granítico, a sul de S. Gião. Tem uma sala interior que servia de abrigo a caçadores e pastores.

Ao regressar de S. Gião o património natural é preenchido pelas margens e encostas do Rio Alva e na Ponte de S. Gião pode visitar e usufruir da magnífica praia fluvial, cujas infra-estruturas possuem um Parque de Campismo, Restaurante, Residencial, etc.

Retomando a companhia do Vale do Alva, atravesse a Ponte e siga pela esquerda na direção de Penalva de Alva.

Esta freguesia terá beneficiado de estatuto municipal anteriormente ao século XIII, já que se presume que D. Afonso Henriques lhe concedeu foral quando ainda era Infante, portanto antes de 1140. Chamou-se outrora Penalva de Riba d`Alva e mesmo Penalva de S. Gião. D. Manuel deu-lhe foral novo em 14 de Abril de 1516. O concelho de Penalva de Alva foi suprimido pela reforma administrativa de 31 de Dezembro de 1853 mediante a incorporação de todas as suas freguesias no concelho de Sandomil. Passou a incluir o concelho de Oliveira do Hospital em 24 de Outubro de 1855.

Em Penalva de Alva pode visitar a Igreja Paroquial que tem como titular S. Tomé Apóstolo. Outrora a Igreja encontrava-se num outro ponto mais elevado, dizendo-se do fim do século XVI e «estar entre vinhas e penedais e ter muito má serventia e muito fragosa e sem vizinhança» e encontrando-se caída a capela-mor, foi reerguida junto do rio no fim do século XIX. A capela-mor é de construção mais recente.

Perto da Igreja encontra-se o Pelourinho que pertence à época Manuelina, do século XVI. Em frente deste encontra-se ainda a antiga Casa da Câmara, num declive, com a cadeia no piso posterior, de aberturas retangulares e na qual hoje se encontra instalada uma interessante biblioteca local. Na verga da porta do mesmo edifício pode ler-se: « S: I M.DCCLVIII F.»

Também em Penalva de Alva pode apreciar junto ao seu açude uma secular roda de água que lhe fará recordar formas únicas de sobrevivência e uma praia fluvial parcialmente infra-estruturada, com mesas, sanitários, coreto, parque infantil, polidesportivo descoberto e bar de apoio.

O mesmo acontece em Caldas de S. Paulo e Santo António do Alva, duas povoações que se encontram logo a seguir a Penalva de Alva, com magníficas praias fluviais, devidamente apetrechadas para o receber, podendo desfrutar das suas águas e das zonas de lazer.

Nas Caldas de S. Paulo, outrora zona termal, não deixe de apreciar uma roda de água em madeira, tal como em Santo António do Alva, em que a roda, de grandes dimensões é provavelmente secular. O que também não pode deixar de visitar, nesta localidade, é a Ponte de Pedra sobre o Rio Alva, construída no século XIX, que nunca sofreu alterações e no passado era ponto de encontro dos namorados da região.

Sempre com o Alva como companhia siga na direção de S. Sebastião da Feira, a mais pequena freguesia do Concelho de Oliveira do Hospital. A sua origem, como povoação, situa-se nos primórdios da nacionalidade do último quartel do século XII e à volta de uma pequena ermida em honra de São Sebastião edificada provavelmente por um soldado chamado Arias, conhecido de Fernando Cativo, alferes de D. Afonso Henriques. Obteve foral de D. Manuel I em 12 de Setembro de 1514. É no entanto curioso registar que no dito foral nos aparece com o nome de S. Sebastião de Riba D’alva (Samsabastia de Riba Dalva) nome substituído logo a seguir pelo de Vila da Feira no Cadastro da População do Reino, levado a efeito por D. João III em 1524. Parece ser bem curioso que ela tenha nascido a respeito da feira (dos pinhões), que ainda hoje se realiza no dia de S. Sebastião. O Concelho foi extinto, a 6 de Novembro de 1836, integrando-se no de Penalva de Alva e mais tarde no de Sandomil, para, com a extinção deste em 24 de Outubro de 1855, vir a fazer parte do de Oliveira do Hospital, situação que atualmente mantém.

Aqui pode visitar a Igreja Paroquial que tem como orago S. Sebastião. A tradição refere-se a esta igreja como tendo sido propriedade do soldado Arias, (Fernando Cativo) alferes de D. Afonso Henriques (século XII), correspondendo inicialmente, por isso, à ermida que ele próprio mandara construir. Tendo mais tarde sido destruída, veio depois a ser reedificada e ocupada pelos frades da Ordem de Santa Cruz. O edifício atual é uma reconstrução modesta do fim do século XVIII.

Não pode nem deve deixar de apreciar a praia fluvial, a ponte sobre o Rio Alva e as vistas deslumbrantes dado que a povoação assenta numa airosa e larga concha rodeada de montes com aberturas a Nascente e a Sul donde se avistam respetivamente as cristas da Serra da Estrela e do Colcurinho.

De S. Sebastião da Feira siga para a Ponte das Três Entradas, local onde o Rio Alvôco desagua no Alva, e sobre o qual está uma rara ponte de três braços. No rio, junto do Parque de Campismo, nada-se, pesca-se e passeia-se de barco.

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