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Percurso: Relíquias e Sabores em Terras do Dão

Partida: Oliveira do Hospital

Chegada: Lourosa

Descrição: A História comprova-o, os vestígios existentes confirmam-no. Esta região já era habitada desde a Alta Antiguidade, entre 5000 a 2000 a.C..

Solte o espírito e percorra a rota que lhe propomos.

De Oliveira do Hospital siga na direção da Bobadela mas antes de chegar, no cruzamento do Pinheiro do Abraços existe uma Anta que o remete para o período Neolítico.

A Bobadela teve, desde tempos remotos, estatuto municipal, cuja primeira carta de foral data de 1256, pelo Rei D. Afonso III, na qual se demarcava o respetivo território. Foi depois um pequeno concelho medieval, tendo-lhe D. Manuel I concedido foral novo a 15 de Outubro de 1513. O concelho de Bobadela foi abolido com a reforma administrativa de 29 de Novembro de 1836, ficando desde então agregado ao de Oliveira do Hospital.

Mas a grandiosidade da história desta povoação começa muito mais cedo, já que foi aqui que os romanos ergueram um importante centro urbano por volta dos séculos I - IV d.C., como o provam os significativos vestígios arqueológicos encontrados nesta terra a que os romanos chamaram «splendidíssimae civitati».

Aqui para além da Igreja Paroquial que tem como titular Nossa Senhora da Graça, reformada inteiramente no século XVIII (em 1746 segundo o letreiro da porta principal), nada conservando da igreja anterior, pode observar no adro da Igreja um Pelourinho, bom exemplar do século XVI, manuelino, assentando em quatro degraus e um notável Arco Romano, tido como a entrada para o Fórum, composto de longas aduelas, marcadas com o sinal do fórfex. Serve-lhe de pés-direitos um muro de silharia rusticada nas faces laterais e dotado de cimalha. Internamente, encostam-se-lhe a um dos pés direitos, cinco fortes silhares, de duas colunas ligadas. Há um outro silhar junto à capela de Nossa Senhora da Luz, que lhe terá também pertencido.

Se é curioso e gosta de investigar pode encontrar na base da torre da Igreja uma lápide de granito, com a palavra NEPTVNALE em grandes caracteres, e que pode ter pertencido à inscrição dum templo, ou comemorar as fases de Neptuno. No cunhal direito da fachada encontra-se mal transcrita uma inscrição romana: IULIAE GNE / FLAVINAI / IULIUS / RUFUS / PATRONAE / D. D., que devia ser, segundo Hubner: Juliae. Cn. f. Flavinae Julius Rufus Patronae. Na sobre-verga da porta principal foi também transcrita, igualmente mal, outra inscrição: ESPLENDISSIME CIVITATI IVLIA MODISTA FLAMINA, com a data de 1746 e a nota: “Este letreiro se achou na igreja velha”. Reconstituído por Hubner, diria: ... SPLENDIDISSIMAE CIVITATI JULIA MODESTA FLAMINICA. Seria a inscrição consagrada ao génio local da cidade esplendidíssima (aqui título a marcar a categoria de cidade) de que Júlia Modesta era flamínica, encarregada do culto do templo. Uma ara consagrada à deusa Piedade por Júlia Modesta, foi levada daqui para Côja e agora perdida; era consagrada à deusa, emhonra da família de seu marido Sexto Apónio Scevo Flaco, flâmine da província da Lusitânia, e igualmente em honra da família dos Júlios, à qual pertencia seu pai e mãe. No museu de Coimbra está um resto duma inscrição, encontrada perto do arco e referindo-se a um flâmine. Igualmente aí se encontra uma cabeça de imperador, com coroa de louros, de calcário, alta de 0,52, descoberta em 1844 perto da povoação.

Em frente situa-se a Casa dos Godinhos, que foi da família Freire de Andrade e onde viveu o General Gomes Freire de Andrade, atual Museu Municipal Dr. António Simões Saraiva. Guarda algum do espólio das escavações, interessantes obras de pintura, oleografias, gravuras, significativos apontamentos etnográficos, entre outras preciosidades. Assinale-se uma sala dedicada ao, jovem e notável, escultor de Meruge, Zeferino Paulo Monteiro, na qual também se encontram peças de Ema Brandão. Existe neste museu uma intenção de reconstituir épocas passadas que muito nos dizem, porque evocam personalidades, profissões e espaços desaparecidos, entre outras preciosidades. Uma visita obrigatória.

Adiante do Museu situa-se o admirável anfiteatro Romano que, segundo sugerem algumas teses científicas, terá sido destruído por um incêndio no século IV e à esquerda deste uma Fonte Romana.

Da Bobadela siga para Nogueira do Cravo. Foi vila senhorio dos bispos de Coimbra. A última nomeação feita, foi a 9 de Julho de 1831. Teve foral episcopal, dado em Avô, em Maio de 1177 renovado pelo rei D. Manuel I a 12 de Setembro de 1514.

A sua visita a esta freguesia pode começar pela Igreja Paroquial. O orago é Nossa Senhora da Expectação. Provém duma reedificação do princípio do século XIX, estando datada num cunhal de MDCCCV. Aspeto típico do estilo regional, com a persistência das tradições setecentistas. A fachada é um interessante exemplar de arte provincial.

Ao meio da localidade encontra o Pelourinho, isolado entre as duas partes da povoação, Cimo e Fundo de Vila. Coluna oitava e base simples, capitel moderno, faltando o remate; dois degraus quadrados e plinto circular. Do século XVII, Manuelino, pertence ao grupo de pelourinhos classificados do tipo "mesa". É também classificado Imóvel de Interesse Público.

No Património da localidade destacam-se ainda a casa da família Tinoco de 1743, casa tradicional beirã em granito, que sofreu algumas remodelações e ainda a Casa do Penedo, recentemente classificada como Imóvel de Interesse Público e que é notável pelo exotismo da sua localização, no cimo de um penedo de reduzidas dimensões. Diz a lenda que foi construída pelos mouros numa só noite e que no interior do penedo está guardado um tesouro.

O próximo destino é o Senhor das Almas. Para descansar e avistar a Estrela com todo o seu encanto, o Colcurinho e o Vale do Alva e as Serras do Açôr e Lousã, propomos-lhe o parque merendeiro do Senhor das Almas, zona recentemente arborizada e valorizada. Do Parque fazem ainda parte a capela de Senhor das Almas local onde tradicionalmente sai a Romaria do Senhor das Almas, com grandes tradições em toda a região em Domingo do Espírito Santo.

Mesmo ao lado pode visitar a Adega Cooperativa de Nogueira do Cravo e provar ou adquirir o bom vinho do Dão, que pode conjugar com o maravilhoso Queijo Serra da Estrela, produzido um pouco por todo o Concelho.

Para terminar este périplo deixamos-lhe uma curiosidade: esta freguesia foi desde tempos longínquos pátria de numerosos pedreiros, que criaram uma característica e pitoresca linguagem própria -"Os Verbos dos Arguinas" - que permitia o diálogo entre os trabalhadores, sem que o patrão entendesse o que eles diziam. Trata-se de uma gíria que muitos Nogueirenses ainda não esqueceram e que é também falada na freguesia de Santa Ovaia.

Santa Ovaia é exatamente o seu próximo destino, para lá chegar basta virar à esquerda na EN 17.

O seu povoamento remontará talvez ao século XII. Já em pleno século XIII encontramos o território compreendido por esta freguesia com atribuições administrativas. As Inquirições de 1258 apresentam-na como uma das povoações mais importantes desta zona da Serra da Estrela.

A sua visita pode começar pela Igreja Paroquial que tem como orago N.ª S.ª da Expectação. Reconstrução do fim do século XIX, segundo um traçado regional de tradição setecentista.

Existem ainda e com grande beleza e imponência a casa senhorial da família Figueiredo e Castro, dos princípios do século XIX e a casa senhorial ou solarada da família Vaz Patto.

A freguesia estende-se pelas encostas do Alva chegando à Ponte das Três Entradas de que lhe falámos noutro ponto do Roteiro. Não deixe de observar a imponência de vales e montes.

A nossa viagem vai trazê-lo novamente à EN 17, passe em Vendas de Galizes e em Venda da Esperança volte à direita para Lourosa.

Lourosa pode ser eleita como a última paragem desta viagem que se iniciou no mais profundo da nossa História. É uma localidade muito antiga, anterior à Reconquista Cristã. Foi doada à Sé de Coimbra pela rainha D. Teresa, a 13 de Março de 1119. D. Afonso Henriques coutou-a, englobando a metade da Sé com a que pertencia a Pedro Usureis, a 2 de Novembro de 1132. Na carta demarcam-se-lhe os limites, encontrando-se nela referência à estrada da Beira EN 17 (uiam antiquam), estrada de traçado talvez pré-histórico mas de que não têm aparecido marcos ou pavimentos romanos. Lourosa teve foral, dado em Coja, pelo bispo de Coimbra, a 6 de Fevereiro de 1347. D. Manuel I concedeu-lhe foral novo a 12 de Setembro de 1514. Foi comenda da Ordem de Cristo, tendo o concelho sido abolido em 6 de Novembro de 1836, integrando-se a sua própria freguesia no concelho de Avô até à extinção deste em 24 de Outubro de 1855.

A nossa visita nesta localidade vai começar por um dos grandes motivos de orgulho deste concelho, a Igreja Paroquial. Dedicada ao apóstolo S. Pedro foi integrada recentemente na Rota da Moura Encantada, roteiro de percursos europeus baseados na presença árabe no Continente.

O material, não só o que foi encontrado solto como o que estava ainda em obra, é de diversas épocas: romana, visigótica talvez moçárabe, românica, gótica e posterior até à atualidade. A construção presente pertence estruturalmente ao moçárabe. Três milésimos esclarecem: numa pedra solta, «ERA dccccL», que corresponde ao ano de 912.

O plano possui atualmente os seguintes elementos: um átrio aberto que precede a nave central, três naves, transepto saliente, abside e dois absidíolos que ficam no eixo das naves colaterais. As épocas das construções podem-se resumir: cabeceira moderna, transepto moçárabe, naves moçárabes na parte baixa, que é a das arcadas só, baixa idade-média nos muros superiores aos arcos, átrio de traçado moçárabe.

Pode ainda visitar o alto campanário, que ficava na frontaria da igreja, ligada ao lado norte da fachada atual da galilé, foi colocado isolado, para além da cabeceira, sua construção pertence ao século XV avançado, como a sua integração na arquitetura do Centro indica e o campo cemiterial que se encontra no edifício e fora dele, de sepulturas antropomórficas, é de baixa época, não podendo recuar para além do século XII.

Na Freguesia existem ainda a Capela do Espírito Santo, edifício simples, retábulo do século XIX, a Capela de Santo António erguida no alto do Chão da Feira e a Capela de Santa Apolónia em Casal de Abade.

Na freguesia deve ainda visitar algumas casas nobres como a Casa da Família Carvalhais, que é uma construção do fim do século XVIII e que se levanta junto ao Pelourinho que pertence ao século XVI, ainda Manuelino

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